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Artigo: Sikhismo. Devoção e luta como caminho para Deus 


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Neste artigo abordarei o Sikhismo, uma religião nascida no final do século XV, no  norte do continente indiano.

Primeiramente devemos observar o contexto religioso daquela região, naqueles tempos, sendo os que mais se destacam seriam os aspectos ritualísticos e devocionais do Hinduísmo. 

A riqueza e diversidade religiosa da Índia em toda sua dimensão geográfica é de uma dimensão tão grande, que até os dias de hoje surpreende o mundo, principalmente o ocidente. 

É importante reforçar a importância e reverência à Índia como a Mãe de todas as religiões, o que eventualmente nos esquecemos ou mesmo sequer somos educados a reconhecer.

Durante minha pesquisa bibliográfica encontrei muita similaridade entre o fundador desta religião, Guru Nanak e Sidarta Gautama, o Buda, fundador do Budismo.

Alguns aspectos me chamaram a atenção para essa semelhança e tentarei trazer alguns destes aspectos como linha mestra da apresentação desta que é a quinta maior religião atualmente no mundo, mas pouco conhecida, principalmente no ocidente.

Tanto Sidarta quanto Nanak buscavam em sua experiência interior a resposta e a conexão direta com o superior, buscando assim libertar-se das formas e rituais bastante intensos nas religiões da época. 

Tanto o Budismo quanto o Sikhismo, tem como similaridades uma certa proposta revolucionária para a época, sendo que a busca por uma experiência individual e direta com a divindade seria o ponto mais importante a ser realizado pelo discípulo, ou seja, tanto Buda quanto Nanak acreditavam mais na experiência direta do que nos rituais, nas formas, doutrinas e no panteísmo que dominavam as religiões daquela época.

Para o fundador do Sikhismo, a devoção a Deus deve alimentar de tal forma o ser humano, que a experiência religiosa formal perderia a sua importância, o que ele buscou com o próprio estilo de vida, comprovadamente, assim como o Buda, alcançado através de sua iluminação pessoal.

Então até este ponto sobre o Sikhismo, vemos na figura de seu fundador, Guru Nanak o pilar central tendo como devoção a Deus através do amor absoluto e do serviço ao próximo, os caminhos que se consolidaram nos fundamentos dessa religião.

Nesta abordagem, procurarei me ater mais ao espírito, aos valores e aspectos transcendentais e espirituais acerca desta religião, do que propriamente detalhes históricos e geográficos, os quais são facilmente encontrados em qualquer busca ou pesquisa.

Acredito que para falar de um assunto tão relevante quanto este, de apresentar uma religião importante, reforçando aqui que estamos falando da quinta maior religião do planeta, uma abordagem histórico-geográfica ou mesmo uma narrativa folclórica, seria além de redutiva, desrespeitosa.

Como uma abordagem analítica acerca de uma religião, acredito que a abordagem deva ser a mais filosófica possível, deixando de lado os aspectos formais e pragmáticos, típicos do pensamento ocidental moderno, reduzindo a dimensão da religiosidade a uma prática formal ou até mesmo um fenômeno cultural. Não que tais fatores não se relacionem às religiões, mas acredito que diante das análises encontradas, pouca profundidade aos aspectos mais profundos é trazida aos buscadores.

Mais do que explicar aspectos como símbolos, histórias, narrativas, acredito que tentar apresentar o espírito pelo qual a religião, aqui no caso o Sikhismo, se desenvolve, seja mais efetivo e inteligente.

Um ponto importante desta religião que também se aproxima do Budismo é a igualdade dos praticantes, quebrando uma cultura de Castas bastante enraizada naquela região, a qual ainda encontra-se vigente, até os dias de hoje  em algumas localidades, mas que dá amplos sinais de declínio.

Guru Nanak é tido como um grande profeta e sua história de vida é similar a de outra divindade, Krishna.

Como instrutor, Guru Nanak abordava sempre enfatizando a realidade, evitando-se aspectos subjetivos que pudessem deturpar seus ensinamentos, o que também reforça a importância de analisarmos as religiões mais sobre os seus aspectos filosóficos fundamentais do que necessariamente sua história-geografia.

Temos enfim na figura de Guru Nanak, fundador desta Religião um Profeta, o qual desde criança buscou através de seus próprios feitos e comportamento, trazer o amor a Deus como devoção profunda da vida do ser humano, evitando perder-se ou mesmo distrair-se em rituais, doutrinas e exibicionismo, através de uma postura consciente, amorosa e caridosa. 

Vale a pena registrar em relação ao Sikhismo, que sua consolidação como uma religião formal e consolidada se deu através de dez outros gurus, sucessores de Nanak, os quais, diante dos contextos de suas épocas, principalmente envolvimentos em guerras e disputas territoriais e religiosas, foram modelando e organizando as estruturas formais de conhecimento, prática e costumes desta religião.

Entre os principais costumes estão os hábitos de nomes dos adeptos conterem o sobrenome Singh “leão” para os homens e Kaur “Princesa" para as mulheres.

Como uma religião tradicional, o Sikhismo possui em sua  estrutura formal aspectos como doutrina básica, sistema ético e culto, templo, escritura sagrada, ritos e festas religiosas.


Artigo produzido para o SEMINÁRIO PROVINCIAL

PADRE ALEIXO ALVES DE SOUZA, referente ao curso de formação Clerical da Igreja Católica Liberal, Província do Brasil.



 
 
 

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