HOMILIA DE NÚMERO 002 - DÉCIMO SEGUNDO DOMINGO APÓS A TRINDADE INTENÇÃO: AUTO DEDICAÇÃO
Atualizado: 21 de set.
Primeiramente falarmos em nossa homilia desta data sobre o destaque do texto da Epístola no qual o autor afirma que Cristo não procurou o que era agradável, como forma de justificar o texto que antecede esta afirmação, no qual aos cristãos é recomendado que sendo nós fortes, é uma determinação na qual devemos suportar a fraqueza daqueles que nos desagradam.
Neste sentido, antes de falar como Sacerdote, sendo eu profissional da área da saúde mental, exercendo a atividade de apoio psicoterapêutico no auxílio às pessoas que buscam por tratamento para auxiliar no alívio de suas angústias, dores, sofrimentos e conflitos emocionais, tanto de ordem inter como intrapessoais, percebo que um fator em nossa sociedade pós-moderna influencia fortemente o aspecto da fraqueza que nos desagrada, em nossos irmãos.
Acredito que parte do problema relacionado à fraqueza das outras pessoas, que não é novidade, mas, porém, a cada geração, assim como a sociedade muda e evolui, seus comportamentos tanto saudáveis quanto doentios também se modificam ao longo do tempo.
As fraquezas da época vivenciadas pelo autor, certamente não são as mesmas dos tempos atuais, podem até ter algumas semelhanças, porém o ambiente no qual cada personalidade é formada, este passa por mudanças profundas.
Se antes, no tempo do autor a sociedade vivia em uma condição bastante complexa na qual a busca pela sobrevivência era algo que determinava fortemente a vida das pessoas, hoje apesar das conquistas e evoluções sociais, essa busca ainda continua sendo a mesma.
Neste sentido, as pessoas vão se tornando cada vez mais individualistas e ego-centradas, tendo como principal objetivo a busca por segurança e acima de tudo, uma vida CONFORTÁVEL.
E é na busca por esta vida “confortável” que temos encontrado, paradoxalmente parte do problema do sofrimento humano em grande quantidade.
Na medida em que vivemos um estilo de vida cada vez mais voltado ao conforto e ao materialismo, nos afastamos da ideia do SACRIFÍCIO como meio de aperfeiçoamento e virtude. E não só isto, mas compreendermos também a ideia de sacrifício como meio de construção e lapidação do nosso caráter.
Neste sentido, a jornada de Jesus é um tratado prático sobre como o Sacrifício é o pilar do Cristianismo, de maneira prática e profunda.
Suportar as fraquezas do outro, nos tempos atuais, tem sido um exercício cada vez mais complexo, uma vez que nos ocupamos enormemente de nosso estilo de vida, sendo que, muitas vezes somos expostos à este desafio em contextos muito próximos da nossa realidade.
Um exemplo disso é a própria organização eclesiástica na qual nos encontramos, caros irmãos. Temos que ter bastante atenção no sentido de sermos coerentes entre nosso discurso e nossas ações e que, o que se evidencia nas organizações como esta, é que nós mesmos não estamos aplicando as orientações que nos são transmitidas.
Como uma organização viva, feita fundamentalmente por pessoas, somos convidados constantemente a nos deparar com as fraquezas dos nossos irmãos, muitas vezes causando-nos dores, sofrimentos, estresses e angústias profundas, até mesmo comprometendo nossa própria permanência na organização. Sabemos que na vida de cada um dos irmãos também isso ocorre, como na família, no trabalho ou até mesmo em um pequeno grupo de amigos sem qualquer vínculo formal.
O que importa neste sentido, é que cada um de nós, independente de sua posição, independente de quaisquer tipo de diferenças, devemos realmente, como cristãos verdadeiros, nos ater à mensagem que nos foi transmitida pelo autor.
Mas, por outro lado, ainda sob os aspectos fundamentais tanto das relações humanas, quanto da saúde mental, emocional e espiritual de cada um, devemos também ter bastante atenção ao LIMITE que se faz necessário, diante do desafio inerente ao exercício prático da orientação proposta pelo autor, mas de maneira que este SUPORTE ÀS FRAQUEZAS do outro, não se voltem contra nós mesmos, a ponto de nos gerar adoecimentos de diversas ordens, perdas, danos frustrações, ou até mesmo comprometer nossa vida por exemplo.
É fundamental contarmos com o apoio daqueles que possuem maturidade, bom caráter, e principalmente uma consciência cristã madura, a ponto de nos auxiliar a compreender nossas faltas, no sentido de não darmos o devido suporte às fraquezas dos nossos irmãos, mas também, a nos orientar quando este suporte pode estar de certa forma, nos comprometendo, não sendo assim algo saudável ou que vá contribuir para uma melhora na vida dos envolvidos.
Como sempre, o caminho da razão, da consciência e da humanidade é sempre o mais indicado e por isso, a religião tem um papel fundamental, pois ela pode ser um campo no qual a vivência desses preceitos, pode ser realizada de maneira plena e frutífera, contribuindo para edificação de uma sociedade mais cristã verdadeira e não apenas
um grupo que se encontra por afinidades, mas que os relacionamentos são tóxicos, complexos e sobrecarregam aqueles que buscam uma jornada de crescimento pessoal moral, ético e espiritual junto àquela religião.
Meu convite então nesta breve fala, é que sejamos nós mesmos, enquanto organização eclesiástica, os primeiros a liderar pelo próprio exemplo, as orientações que nos são colocadas através dos textos.

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